As empresas estão equivocadas ao usarem as redes sociais como um mero agente replicador do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), advertiu Gil Giardelli, da ESPM, ao participar de um debate sobre Integração de Pessoas, no Rio Info 2010, realizado nesta quarta-feira, 01/09.
Para ele, o departamento de marketing precisa compartilhar o comando da ferramenta com outras áreas, especialmente, com a de Recursos Humanos. E frisou: "É preciso ouvir críticas. Redes Sociais não são instrumento para auto-elogio".
Giardelli não poupou críticas. Na visão dele, a comunicação empresarial nas redes sociais está, na maioria das vezes, chata e muito tradicional. Segundo ainda o especialista em marketing digital, é preciso, para quem quer usar as ferramentas de comunicação Web, elaborar códigos de conduta e repassá-los aos funcionários.
"As redes sociais corporativas exaltam os feitos da empresa. Apenas isso. Ou ao contrário, funcionam como um instrumento oficial de pedido de desculpas aos consumidores. A rede social não é um SAC. E isso precisa ficar bem claro", destacou.
Apesar de defender essa tese, Giardelli observou que como são redes sociais privadas há, sim, políticas de uso para serem disseminadas em todos os escalões. "O CEO precisa saber que pode receber uma crítica de um funcionário ou ler algo que não o agrade. O manual de conduta cria, então, as regras da boa convivência, que já existem para outras mídias", completa.
Michael Nicklas, dono da SocialSmart, venture capital norte-americana que investe em empreendimentos brasileiros na Internet, destacou que a Web 2.0 se transformou num problema para as corporações. "Na web 1.0 todas as inovações vieram das empresas para o consumidor final. Agora não. São os usuários que estão demandando as empresas mudarem. As redes sociais são isso. Elas são populares e as corporações estão tendo que adaptá-las aos seus negócios para não ficarem fora da tendência", salientou.
O debate discutiu ainda o impacto da Internet na integração das pessoas. A maior parte dos convidados, entre eles, Carlos Nepomuceno, presidente da ICO- Instituto de Inteligência Coletiva - e Henrique Cukierman, da Coppe, UFRJ, se mostrou reticente à manutenção do atual modelo, onde o controle das redes sociais - Orkut, do Google, o Twitter e o Facebook - são controlados por um único agente.
"Se eles quiserem nos desconectar é simples. Basta desligar o servidor. Isso encerraria todas as contas de rede e pronto: toda a grande rede estaria órfã ", salientou Nepomuceno. Para ele, os próximos anos devem mostrar uma tendência por redes sociais específicas, descentralizadas. "Filtros de informação são necessários nos tempos modernos. As redes centralizadas, com temas próprios, me parecem bastante naturais", completou.
31 Agosto 2010
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